A
VIDA DE PEÃO DE RODEIO
Literatura de
Cordel
Autor: Francisco Diniz
Participação do aluno Jailson
Henrique de Lima, do Projeto Cordel, nas estrofes: 1, 10 e 20.
João Pessoa - PB, 15/03/2005.

Prezados
solicitamos
Um momento de
atenção
Vimos
registrar em cordel
A saga de um
cidadão
Que vive o
tempo a montar
Em animal a
pular
Que é chamado
de peão.
Que monta boi
ou cavalo,
Que não foge a
um rodeio,
Que desafia a
vida
E faz dessa
arte um meio,
Seu prazer e
seu sustento
Inda diz aos
quatro ventos
Que de
esperança está cheio.
Os maiores
obstáculos
Que o peão tem
que vencer
São o animal e
o medo,
Por isso
precisa ter
A coragem pra
montar
E a vontade de
ganhar
Pro respeito
obter.
1
Diante de uma
platéia
Ansiosa e
vibrante,
Busca a
concentração,
Seguirá bem
confiante,
Fazendo o
sinal da cruz,
Pede a Deus a
sua luz
Durante alguns
instantes.
Nos longos 8
segundos
Pra cumprir o
regulamento
Montando o
animal,
O seu maior
pensamento
E o desejo é
não cair
Ou pelo menos
sair
Da arena sem
ferimento.
Enfrenta o boi
ou o cavalo
Com a coragem
de um vaqueiro
Sonha na
competição
Dentre todos,
ser o primeiro,
Ter o
reconhecimento,
O aplauso por
um momento,
Ser um peão
verdadeiro.
2
Fica
emocionado
Quando ouve o
narrador
Gritar: –
“Segura peão”,
Ele esquece
até da dor
Que por
ventura sentir
E sonha
adquirir
O prêmio de
vencedor.
Sua música é o
aboio,
É a canção
sertaneja,
É a moda de
viola,
É a sanfona
que solfeja,
É o baião, é a
catira,
É a cantiga
caipira,
É o cantador
que verseja.
Muitos
conselhos recebe
Para o rodeio
deixar:
– “Largue logo
essa vida
Para não se
machucar,
Pisoteado
morrer,
Isso é o que
mais se vê
E o que se
ouve falar”.
3
Mas o peão
sonhador
Quer mais
longe alcançar,
Segue em
frente com firmeza
Busca não se
preocupar,
Nele não se vê
tristeza
Porque tem uma
certeza
De o touro
dominar.
Quase sempre
sofre um tombo,
Se o cavalo é
saltador,
Quando o touro
é ligeiro,
Valente e
pulador.
E ao ser
jogado ao chão
A areia é proteção
Para aliviar a
dor.
Os peões
dentro da arena
Dão a proteção
também
Caso o peão
montador
Após cair
fique sem
Condições pra
levantar,
Eles correm
pra ajudar
Para lhe fazer
um bem.
4
Se caso não
for possível
Conter a fúria
do touro
Ou o peão
ficar enganchado
Na corda ou
até no couro
Que envolvem o
animal,
O momento é
crucial,
É instante que
vale ouro.
Ou melhor,
vale uma vida,
Por isso é
importante
A ação do
outro peão
Com papel de
ajudante
Para livrar o
parceiro
Do animal
traiçoeiro
No precioso
instante.
Livrar do
touro enfezado
A dar coices,
dar chifradas
E pulos de bem
1 metro,
De poderosa
marrada
Que se alguém
for pesar
É capaz de
mensurar
A cima de
tonelada.
5
É uma vida
arriscada
A de peão de
rodeio,
O prêmio é
valoroso,
Contudo,
melhor eu creio,
É sair bem do
cercado,
É poder contar
o passado
Mesmo se o
prêmio não veio.
Pois de nada
valerá
Ganhar um
monte de dinheiro,
Carro, moto ou
fazenda,
Ser na disputa
o primeiro,
Se o peão for
atingido
Por forte
touro bandido
Num golpe
fatal, certeiro
Que o impeça
de montar,
Que o impeça
de seguir
Sonhando em
conquistar
O rodeio que
existir
Mesmo tendo
que passar
Cancelas,
ranchos ou o mar,
Ele não vai
desistir.
6
E irá sempre
cumprir
O antigo
ritual:
Escolhe a
melhor camisa,
A espora
ideal,
A luva, a
calça comprida
E jamais será
esquecida
A bota
especial.
Visando domar
a fera
Naqueles
poucos segundos,
Pondo sua vida
em risco
Como o faz o
moribundo.
Se perder não
é lembrado,
Mas vencendo é
contemplado,
Pode ser único
no mundo.
Na tradição de
Barretos
Ou nos Estados
Unidos
O herói da
montaria
Acha na arena sentido
Pra sua vida
levar,
O meio pra se
expressar,
Ter salário
garantido.
7
Rodeio é meio
de vida
E hoje é
esporte também;
É cultura do interior,
À economia: um
bem,
Pois gera
emprego, é lazer,
Alegria a todo
o ser
Que passa,
fica ou vem.
E quando abrem
a porteira
Pro peão
entrar em cena,
Ele pensa no
romance
Que existe ou
se encena,
Oferece a
montaria
A quem lhe dá
alegria
Antes d’entrar
na arena.
E saúda os
salva-vidas,
Pode deles
precisar,
Arranca sobre
o touro
Sedento para
alcançar
A fama, o
aplauso, o prazer
E a glória de
poder
Num outro
animal montar.
8
FIM
Autor: Francisco Diniz
João Pessoa - PB, 15/03/2005.
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