PREFEITURA MUNICIPAL DE SANTA RITA – PB

SECRETARIA DE EDUCAÇÃO

PRÊMIO “INCENTIVO À EDUCAÇÃO”

ESCOLA SÃO MARCOS

DISCIPLINA: EDUCAÇÃO FÍSICA

Professor:  Francisco Ferreira Filho Diniz

 

 

 

Projeto:

A literatura de cordel no ambiente escolar: uma rica possibilidade educativa.

 

 

Ementa:

Relato de experiência realizada com alunos de 1ª a 5ª séries

da Escola Municipal de Ensino Fundamental São Marcos no ano de 2002.

 

 

 

Objetivos

* Reconhecer a importância da literatura de cordel enquanto patrimônio histórico e cultural do povo paraibano, nordestino e brasileiro.

 

 

* Contribuir para o resgate da literatura de cordel na perspectiva de, no futuro, transformá-la em veículo de comunicação de massa.

 

 

* Utilizar a poesia de cordel como recurso pedagógico para debater temas relacionados à educação escolar como cidadania, solidariedade, preconceito, discriminação racial, consciência ambiental, espiritualidade, ética, educação sexual, combate às drogas, violência, condição social da população, amor ao próximo.

 

 

* Estimular a leitura, produção e edição de folhetos de cordel.

 

 

* Realizar exposição do material produzido entre alunos, pais e funcionários da escola.

 

 

Justificativa

 

Literatura de Cordel

É poesia popular

É historia contada em versos

Em estrofes a rimar

Escrita em papel comum

Feita pra ler ou cantar.

 

A capa é em xilogravura

Trabalho de artesão

Que esculpe em madeira

Um desenho com ponção

Preparando a matriz

Pra fazer reprodução.

 

Os folhetos de cordel

Nas feiras eram vendidos

Pendurados num cordão

Falando do acontecido,

De amor, luta e mistério,

De fé e do desassistido.

 

A minha literatura

De cordel é reflexão

Sobre a questão social

E orienta o cidadão

A valorizar a cultura

E também a educação.

 

Mas trata de outros temas:

Da luta do bem contra o mal,

Da crença do nosso povo,

Do hilário, coisa e tal

E você acha nas bancas

Por apenas um real.

 

O cordel é uma expressão

Da autêntica poesia

Do povo da minha terra

Que luta pra que um dia

Acabe a fome e miséria

Haja paz e harmonia.

 

        A poesia popular, enquanto literatura oral já existe há mais de 3.500 anos. No Brasil o cordel chegou, trazido de Portugal, onde era vendido como "folhas soltas", mas foi com um poeta nascido em Pombal, que ele ganhou celebridade. Foi Leandro Gomes de Barros quem primeiro passou a editar e comercializar, no final do século XIX, o folheto na forma tal como temos atualmente, por isso ele é considerado o patriarca dessa expressão popular e a Paraíba é tida como o berço da literatura de cordel.

 

        O cordel que era vendido nas barracas das feiras livres pendurado em cordões e recitado ou cantado pelos poetas violeiros para atrair os compradores, hoje sofre dos males do esquecimento e do abandono, explicado pelo advento da era tecnológica e assimilação desenfreada da cultura estrangeira. Ele já foi, no interior do Nordeste, o jornal, a música, o lazer de um povo que se reunia nos salões ou terreiros das casas para fantasiar histórias lidas por aqueles que dominavam os códigos da leitura e servia também para alfabetizar tantos outros que as vezes sabia de cor folhetos famosos. O hábito de ler cotidianamente o cordel fez surgir no Nordeste poetas de expressão como Patativa do Assaré e revelar ao mundo uma música inigualável de Luiz Gonzaga, valores que sintetizam a grandiosidade da nossa arte popular.

 

        O cordel precisa sobreviver e voltar a ser uma cultura de massa tal como antigamente. Certamente alguns poetas continuarão nas feiras, outros levarão suas obras às bancas de jornal, livrarias, outros ainda procurarão utilizar os recursos da mesma era tecnológica que ajudou a sucumbi-lo - como o rádio, jornal, tv e agora mais recentemente a internet - para fazer chegar aos quatro cantos do mundo a imponente cultura nordestina. Contudo, acreditamos que a literatura de cordel só poderá se transformar numa cultura de massa a partir do momento que a escola passar a estimular o seu uso, ou seja, a comunidade escolar (alunos, professores, funcionários) adotar o hábito da leitura. Quando a escola procurar conscientizar a todos da real necessidade de se preservar o cordel enquanto saber histórico, estaremos caminhando em direção a sua revitalização.

 

        Levar a literatura de cordel até a escola significa oferecer um importante e motivante meio de educação aos alunos. Através da poesia popular o aluno poderá conhecer aspectos da história do nordestino, pois o cordel retrata a cultura, o cotidiano, a realidade do povo e suas peculiaridades. Mas pode versar sobre qualquer assunto e ser utilizado como recurso pedagógico para debater temas relacionados à educação escolar como cidadania, solidariedade, preconceito, discriminação racial, consciência ambiental, espiritualidade, ética, educação sexual, combate às drogas, violência, condição social da população, amor ao próximo...

 

        Ter o cordel na biblioteca da escola pode representar um passo extremamente valioso para o devido reconhecimento e resgate desse tipo de literatura e dar à nova geração a oportunidade de apreciar a riqueza e expressividade da nossa cultura. Significa observar o contato do passado, da memória do saber tradicional, do conto poético numa linguagem ao mesmo tempo simplória e bela, de fácil compreensão e de uma engenhosidade singular observada na construção dos versos e rimas. A escola tem que obrigatoriamente prestigiar a cultura popular, caso queira preservar a sua própria história. E demonstrar preocupação na manutenção do saber é assumir e incorporar a sua rotina o contato com as manifestações que o povo cultiva, que apresentam significância e um visível potencial pedagógico. A literatura de cordel é uma dessas manifestações que devem e precisam ser utilizadas no ambiente escolar.

 

        Enquanto livro para-didático ou leitura suplementar o cordel pode conduzir o leitor a uma viagem fascinante, a um universo textual completamente diferente do habitual onde a rima é um dos elementos que atrai, que desperta a curiosidade além de suscitar a sensibilidade artística.

 

        No espaço escolar o cordel poderá ser usado para estimular a criatividade. Como é uma leitura que pode ser cantada, acompanhada de um ou vários instrumentos musicais como viola, rabeca, sanfona, violão, pífano, zabumba, flauta, pandeiro ou outro de interesse do professor, vemos a riqueza da sua utilização. Indiretamente há um incentivo à aprendizagem de determinado instrumento musical, ao próprio canto e à estimulação da educação rítmica, mesmo para aqueles que não queiram estudar ou compor música. Finalmente pode-se orientar os alunos a produzir histórias, o que de fato mais contribuirá para que sejam revelados valores e com isso fazer perpetuar em nossa região o estigma de lugar dos grandes poetas.

 

        Por ser confeccionado com material simples, o folheto de cordel tradicionalmente teve preço acessível e as pessoas de baixo poder aquisitivo sempre tiveram oportunidade de adquiri-lo. Hoje falta, além de políticas públicas de incentivo, a divulgação necessária para que ele seja conhecido pelas novas gerações,.

 

        Adquirir títulos com o objetivo de distribuí-los aos alunos da rede pública de ensino, bem como para ampliar o acervo das bibliotecas das escolas, poderiam ser iniciativas dos governos que muito iriam contribuir nessa tarefa de promoção do cordel. Outro meio seria a realização de concursos no interior das escolas, patrocinados com a incumbência de revelar talentos, onde os vencedores poderiam ter, além de uma significativa premiação, as suas obras editadas.

 

        A escola pode ser um ótimo local para se estimular a leitura e composição dessa rica cultura. Baseados em tal  compreensão, começamos a implementar na Escola São Marcos o atual projeto.  

 

Estratégias

- Realização, duas vezes por mês, de leitura e debate de folhetos de cordel entre alunos das 1.ªs, 2.ªs, 3as, 4.ªs e 5as  séries.

- Estimular a produção de  estrofes em sextilhas 3as, 4.ªs e 5as séries, principalmente em datas festivas, sobre vários assuntos.

- Disponibilizar na biblioteca da escola, para todos os alunos, um acervo (vide anexo) composto de 20 títulos para utilização nas aulas vagas, recreio ou para empréstimo.

- Exposição sobre a técnica da elaboração das estrofes em sextilha, ou seja, a rima no final da palavra dos 2o, 4o e 6º versos, ex.:

 

“A escola é importante,

Serve para aprender                 (2.º verso)

Respeitar sempre os mais velhos,

Ensinar a ler e escrever,           (4.º verso)

A ter boa educação

E melhorar nosso viver.”         (6.º verso)

09/04/2002 - 4.ª A – Alunos da Prof.ª Vilma 

 

- Exposição sobre a construção da estrofe em setilha, ou seja, a rima no final da palavra dos 2o, 4o, e 7º versos, bem como no final dos 5.º e 6.º versos, com uma rima diferente das três anteriores, ex.:

E em nome de Deus Poderoso

Que é Mãe, Pai e Criador,  (2.º verso)

Que é Oxalá ou Alá,

Que nos deu Cristo Senhor,  (4.º verso)

Que está em toda religião,        (5.º verso)

Enxergue no outro um irmão   (6.º verso)

E verás o que é o amor. (7.º verso)

Francisco Ferreira Filho Diniz, em

“Prece Para a Libertação do Homem”.

 

- Construção coletiva de estrofes em sextilha sobre diversos temas:

O professor ou um aluno sugere um verso inicial e anota-se no quadro de giz. Em seguida o professor solicita que os alunos dêem opiniões de versos para a montagem da estrofe.

 

- Construção individual de estrofes:

Sugere-se um tema e  os alunos escrevem um verso ou uma estrofe.

 

- Estímulo à utilização do aspecto rítmico do cordel através do canto das estrofes tal como os repentistas, aboiadores e outros tipos e estilos musicais.

 

Desenvolvimento

 

        Considerando a literatura de cordel como Patrimônio Histórico Cultural, introduzimos sua utilização, na Escola São Marcos a partir de 2002, especialmente nas aulas de educação física,  mas também  em momentos festivos da escola (Dia das Mães, Semana do Meio Ambiente, São João, Dia da Criança, etc.) com o objetivo de favorecer o acesso a essa expressão popular para todos os alunos dos turnos manhã e tarde.

 

        Durante a realização do Projeto “A literatura de cordel no ambiente escolar: uma rica possibilidade educativa”, fazemos uma reflexão sobre determinado conteúdo, através da linguagem poética da literatura de cordel, e estimulamos a capacidade criativa do aluno na construção de um tipo de texto característico da região nordestina e que infelizmente passa por um estágio de abandono, de esquecimento e até de desconhecimento pelas novas gerações.

 

Público alvo

* Turmas do turno da manhã:

1.ª A -  Professora Carminha -  31 alunos

2.ª A - Professora Geisa -          18 alunos    

3.ª A - Professora Valquíria  -   14 alunos

3.ª B - Professora Naide  -         15 alunos

4.ª A - Professora Vilma -         41 alunos

5.ª A , 5.a B, 5.ª C  -                   87 alunos (respectivamente 29, 27 e 31)

 

* Turmas do turno da tarde:

1.ª B -  Professora Salomé -       22 alunos

1.ª C -  Professora Neves -         22 alunos

2.ª B -  Professora Rio -             26 alunos

3.ª B -  Professora Michele -      25 alunos

3.ª C -  Professora Helena-         15 alunos

4.ª B -  Professora Ivone  -         16 alunos

4.ª C -  Professora Karla -          22 alunos       

           TOTAL: 354 alunos

 

Situação anterior:

Nenhum aluno sabia o que era literatura de cordel.

 

Principais tarefas desenvolvidas

* Exposição sobre conceito e histórico da literatura de cordel.

* Leitura e reflexão de folhetos de cordel com  alunos das 1.ªs e 2.ªs  séries duas vezes por mês.

* Leitura e produção de estrofes, principalmente em sextilhas, duas vezes por mês, sobre vários assuntos com  alunos das 3.ªs, 4.ªs e 5.ªs séries.

 

Foram utilizados os seguintes folhetos (vide anexo):

A Chegada de Frei Damião ao Céu 

As Conseqüências da Compra do Voto 

Breves Reflexões 

Capoeira, A Luta de um Povo

Céu e Fel na Praia de Tambaú

Dilemas do Professor

Lampião, João Ligeiro e Ligeirinho 

Mamonas Assassinas, O Raio da Alegria 

Mulher, Sonhos, Lutas e Conquistas

O ano de 96  na CNEC

O Casamento de Maria do Riachão 

O Escravo do Sistema

O Professor Branco e o Aluno Negro 

O Significado do Nascimento de Jesus para a Humanidade

O Universo da Quadra 

Paraíba, Sim Senhor! 

Perfil de um Estudante 

Prece  para a Libertação do Homem

Recado à Mãe Pátria

Zumbi, O Herói do Brasil 

 

Avaliação

 

* Observação

Da leitura, declamação, interpretação e canto dos versos de cordel no ritmo característico.

 

* Produção de estrofes

Foram produzidos, por alunos das 3.ªs, 4.ªs e 5.ªs séries, os seguintes textos:

 

A Escola  

A escola é importante

Serve para aprender

Respeitar sempre os mais velhos,

Ensinar a ler e escrever,

A ter boa educação

E melhorar nosso viver.

 

O Índio 

Na época do descobrimento

Havia aqui no Brasil

Cinco milhões de índios

Vivendo na terra gentil

Livres da poluição

Num céu lindo, cor de anil.

 

E chegou um certo povo

Com ar de civilizado

Tomou conta disso tudo,

E qual foi o resultado?

Destruiu rio e floresta,

Deixou o índio arruinado!

 

Mãe

Mãe é nossa esperança

Ilumina os caminhos

Alegra nosso viver

Afasta todos espinhos

Sonha com nosso futuro

De paz, amor e carinho.

 

Mãe  é ser especial,

Justa, trabalhadora;

Cuida com amor e carinho

Dos filhos e da lavoura,

Da casa , de toda a família,

No trabalho fora, brilha;

Ela é bela e educadora.

 

Agradeço a minha mãe

Pela vida e por me amar,

Por me dar a proteção,

E colocar pra estudar,

Por me dar os seus conselhos

E por sempre me amparar.

 

Dia Mundial do Meio Ambiente

Dia 05 de junho

É dia internacional

Dedicado ao ambiente

Pra lembrar de todo o mal

Que sofre nosso planeta

Uma poluição colossal.

 

Matas sendo destruídas,

Animais em extinção

Rios e mares sofrendo

Tamanha degradação

Até a camada de ozônio

Enfrenta a destruição.

 

Dos homens inconscientes,

Dos ricos devastadores

Que só pensam em dinheiro

Provocam tantos horrores

E nunca são condenados

Como grandes malfeitores.

 

Hoje em dia é preciso

Da natureza cuidar

Alertar sobre os problemas

O nosso povo educar

Para que possamos ter

Melhor Terra pra morar.

 

Pois se nós não evitarmos

Devastar a natureza

Vamos sofrer as conseqüências

Essa é a mais pura certeza

A vida corre perigo,

A água, o ar, a beleza. 

 

São João 

São João é tempo de festa

Tem quadrilha, animação,

Tem Canjica, tem pamonha,

Milho verde, requeijão

E durante o mês de junho

No Nordeste é tradição.

 

A música que escutamos:

Baião, xote, forró.

Há alegria todo o ano

E cada vez fica melhor;

A fogueira sempre acesa

E é difícil ficar só.

 

Dançar quadrilha em junho

É divertido demais

Tem Lampião e cigana,

Príncipe, noivo, capataz,

Padre, juiz, sinhá-moça,

Criança, moça, rapaz. 

 

Rainha do milho, matuto,

Cangaceiro e soldado,

Princesa, Maria Bonita,

Um coronel irritado,

Camponesa, marinheiro,

É dança pra todo lado.

 

A turma vai ao ensaio

Pra melhor se apresentar

O coronel é quem comanda,

Faz a fazenda dançar

Com xote, xaxado, baião

E se olha a fogueira queimar.

 

A quadrilha é uma festa

Dançada no São João

Todo o povo é feliz

Arrastando o pé no chão

Durante o dia inteiro

Dentro e fora do salão.

 

A quadrilha de hoje em dia

Está muito diferente

Os passos são mais ligeiros

Atrapalham muita gente

Mudaram até o forró

E eu pouco fico contente.

 

Mas as vezes encontramos

Quem pensa na tradição

De um forró verdadeiro

Dos passos com emoção

Sem ter que ficar pulando

Muito distante do chão.

 

Brincadeiras na quadra

Nós precisamos mesmo

É ir pra quadra brincar,

Não queremos ficar na classe

Ouvindo o mesmo blá, blá, blá

Se não perdemos a hora

E não dá tempo jogar.

 
Aniversário 

Nesse dia importante

Nós queremos lhe dizer:

Que Deus lhe dê saúde,

Amor, carinho, prazer

E muitas felicidades,

Parabéns para você.

 
A Criança

A criança é alegre,

Gosta mesmo é de brincar.

Se deixar, o dia todo

Ela nunca vai cansar,

Só que precisa também

Outras coisas realizar:

 

Ela tem que estudar,

Ter uma boa educação,

Respeitar sempre os idosos,

Ter boa alimentação,

Ajudar aos pais nas tarefas

E dar carinho ao irmão. 

 

Mas precisa também

Por certo ser respeitada,

Aqui ou em qualquer lugar

Ser querida, bem tratada

Em todos os momentos

E nunca ser explorada.

“Festejos na Escola”

(Vide anexo)

 

 

 

Conclusão

 

A experiência ora descrita foi desenvolvida sem a necessidade de se utilizar recursos específicos, numa escola com uma inadequada estrutura física e insuficientes materiais didáticos. Basicamente foram usados apenas o acervo de 20 títulos, quadro de giz, lápis, papel e a sala de aula para a implementação dos trabalhos.

 

A forma como é exposto o conteúdo através da poesia de cordel proporciona o debate onde é possível explorar,  dentre outras possibilidades, o humor, que torna  motivante a leitura:

 

“...O educador por aqui

Ganha muito, muito pouco,

Fala demais todo dia

Vez por outra está rouco,

Com tanta preocupação

Só lhe falta ficar louco.

 

Com aluno sem interesse,

Com provas pra corrigir,

Sem tempo pra planejar,

Sem tempo para sorrir,

É vítima sim, do descaso

Dos dirigentes daqui...

 

Que desprezam o seu papel,

Desfazem do seu valor

Ao pagarem um salário

Que é uma vergonha, um horror,

Que mal dá pra se manter,

Sem luxo nenhum dispor.

 

E pra não sofrer ainda mais

O professor faz biscate

Anda vendendo nas feiras

Verduras e chocolate;

Pra aumentar o orçamento

Vende perfume e esmalte.

 

De tudo ele inventa

Pra fugir do alvoroço:

Trabalha até madrugada

E na hora do almoço

Faz salgado, vende tortas;

Vende roupa pelas portas

Ou dá aula de reforço.

Francisco Ferreira Filho Diniz, em

“Dilemas do Professor”.

 

A escola tem a função e a  responsabilidade de tratar dos conteúdos que serão usados futuramente no mercado de trabalho pelos seus alunos e tem buscado desenvolver meios de facilitar a aquisição dos mesmos. O cordel é mais uma tentativa de veicular esses conteúdos e se apresenta como algo inovador, quando não deveria ser  pois essa manifestação é característica do povo nordestino e teria que fazer parte do cotidiano da vida escolar. Falta ao sistema de ensino a sensibilidade para divulgá-lo.

 

Durante os nossos trabalhos, ao construirmos coletivamente os textos atentamos também para o princípio da  diversidade ao abordarmos vários assuntos. Procuramos incluir todos os alunos na elaboração e declamação, no devido ritmo, das estrofes na perspectiva de valorizar a socialização das aprendizagens e das informações.

 

Usamos a poesia de cordel para alertar os alunos sobre questões importantes, por exemplo, como a limpeza da escola. Disponibilizamos cartazes  sobre, ou ao lado dos cestos de lixo espalhados pela escola onde explicávamos: 

 

Colabore com a limpeza

Da escola todo dia

Lugar de lixo é no cesto

Riscar parede, dar agonia

Pisar nas plantas, estraga

Sua beleza e harmonia.

Prof. Francisco F. F. Diniz

 

No grande jogo da vida

Nunca há prorrogação

Aproveitemos o tempo

Pra aprender e dar lição

Pra buscar a felicidade

E não jogar lixo no chão.

Prof. Francisco F. F. Diniz

 

Sujeira não traz saúde

Mas, a contaminação

Para evitar tal problema

E demonstrar educação

Acabe com o dilema

De botar lixo no chão.

Prof. Francisco F. F. Diniz

 

Seja um cidadão educado

E à limpeza diga sim

Jogue o lixo no cesto

Que a sujeira leva fim.

  Prof. Mariano Ferreira

 

Vou fazer-lhe um pedido:

Dê um sorriso e atenção

Tire os pés da parede,

Não deixe lixo no chão,

Cuidado com o jardim,

Saia já da contramão.

Prof. Francisco F. F. Diniz

 

Veja bem este recado

E faça a coisa certa

Use depressa o lixeiro

Esteja sempre em alerta

Noite e dia, o tempo inteiro

Mostre ser pessoa esperta.

Prof. Francisco F. F. Diniz

 

A natureza é uma só

E não tem segunda via

Por isso tenha cuidado

Não a maltrate dia-a-dia

Ponha o lixo no lixeiro

Dê-lhe um pouco de alegria.

Prof. Francisco F. F. Diniz

 

Ponha o lixo no cesto

Numa atitude inteligente

Cuide da nossa escola

Preserve o meio ambiente.

Prof. Mariano Ferreira

 

Deus criou a natureza

Limpa, sem poluição

Mas o homem pouco atenta

Para sua conservação.

Hoje a escola orienta:

Não jogue lixo no chão!

Prof. Francisco F. F. Diniz

 

Amigo, preste atenção:

Seja um atleta da limpeza

Jogue o lixo no cesto

E proteja a natureza

Prof. Mariano Ferreira

 

O cidadão educado

Dia-a-dia tem capricho

Cuida da sua escola

Joga a sujeira no lixo.

Prof. Mariano Ferreira

 

Faça um  gol de limpeza

Mostre    boa  educação

Coloque  o  lixo no cesto

Mantenha  limpo o chão.

Prof. Mariano Ferreira

 

Aqui, defendemos a idéia de que a escola é palco para o exercício da cidadania, onde o conteúdo deve proporcionar uma mudança na atitude das pessoas.

 

Em relação a repetência e evasão escolar, consideradas grandes dificuldades vividas pela escola pública de todo o país, este trabalho não apresenta um suficiente preparo para encaminhar sugestões, porém devemos enfrentá-los enquanto problemas que estão diretamente relacionados a estrutura da sociedade, que precisa passar por reformulações profundas.

 

No ambiente escolar é preciso que o aluno seja visto como alguém mais importante por todo o corpo funcional e tratado com mais amor e respeito, pois a maioria dos discentes é vítima do descaso social, da miséria, do abandono, das famílias desajustadas.

 

A escola pode ser um refúgio, mas também poderá não ter muito significado desde que não atenda às necessidades de bem-estar, prazer, carinho, proteção e alimentação. O conhecimento (o saber, a aprendizagem), o comportamento social ajustado do aluno, baseado na disciplina e respeito ao próximo serão conseqüências da receptividade que lhe é fornecida por um espaço limpo, organizado, bem cuidado, que disponha de uma orientação espiritual libertadora (sem fanatismos), de uma alimentação de qualidade e contínua - que seja diferente da sua rotina muitas vezes angustiante e precária - de pessoas (mais bem remuneradas) que a amparem e decisivamente sejam comprometidas com a transformação do quadro existente.

 

Como podemos vencer

Repetência e evasão

Se a escola não dispõe

De estrutura e condição

Para oferecer ao aluno

A melhor informação?

 

Se falta material

Didático ou de limpeza,

Se não chega a merenda

Para afastar a tristeza

Que há no rosto carente

Que não tem comida à mesa?

 

Como nossa pública escola

Vai poder oferecer

Educação de verdade

Com o mestre a perceber

Um salário miserável

Que mal dá para viver?

 

E assim ele não pode

Fazer especialização

Pois tempo é o que não tem,

Muito menos condição

De arcar com as despesas

Que exigem a formação.

 

Solução?! É claro que existe!

O que falta é mudar

A política do sistema,

Pois é preciso atacar

O problema na raiz

Para tudo melhorar.

 

Pague ao professor

Mil e oitocentos reais

Para atuar só um expediente

E acrescento ainda mais:

Estruture a escola

Que o desmantelo jaz...

 

Não deixe que nunca falte

A merenda escolar

Rica em nutrientes,

Boa de saborear.

Dê condições às famílias

De ter onde trabalhar,

 

Com um justo salário,

Não com essa mixaria

Que é o salário mínimo

Que só em pensar dá agonia!

Veja só a Noruega

Porque há paz e harmonia.

 

Mude, exija, reclame

Mas faça o que citei a cima

Que eu quero ver se existe,

A não ser na minha rima,

Evasão ou repetência

De adulto, menino ou menina.

 

Não precisa ser vidente

Nem tampouco cientista

Pra saber que a educação

Muda o ponto de vista,

Transforma a consciência,

Do simples ou do artista.

 

Basta oportunidade,

Uma devida acolhida

A quem precisa de ajuda

Pra começar a subida

Em busca da construção

De uma digna vida.

Francisco Ferreira Filho Diniz, em

“A Escola dos Meus Sonhos” (no prelo).

 

 

 

Sobre o Autor:

 

Francisco Ferreira Filho Diniz, é o que sou

Ou por Nenen você pode me chamar

Chame baixo não precisa alarmar

Pois embora lerdo, surdo ainda não estou

Estudei e hoje sou um professor

Sou humilde, não disponho de riqueza,

Sou capoeira, amante da natureza,

Cordelista e arranho um violão

Já compus um bocado de canção,

Sonho com um mundo de paz e sem pobreza.


_____   _____

 

1- Francisco Ferreira Filho

Diniz, este é o meu nome.

A escola é meu trabalho

A cultura me consome,

O meu sonho é que no mundo

Haja paz e acabe a fome.

 

2- Por Nenen, desde menino

Sou também denominado

E em Educação Física

Desde 90, formado

E como todo professor

Ganho pouco, ando estressado.

 

3- Estudo pra ser poeta

E sou um simples cordelista

Não busco obter fama

De respeitado artista

Mas, a cultura do povo

Eu nunca a perco de vista.

 

4- Sou também capoeirista

Violência me faz mal

Gosto da Capoeira Angola,

Admiro a Regional

E meu Mestre é Paulista

Que hoje vive em Portugal.

 

5 - Eu nasci em Santa Helena

Situada no sertão

Uma cidade bem pequena

Mas de grande coração

Nos confins da Paraíba

Onde o povo é sempre irmão.

_____________________________________________________________

FRANCISCO FERREIRA FILHO DINIZ

Endereço: rua Alfredo José de Athaíde, 93, apto. 103,

Bloco 4, Condomínio Via Norte, Alto do Céu,

CEP.: 58.027 - 300 - João Pessoa /PB - Fone: (83) 243 - 6724

E-mail: literaturadecordel@bol.com.br

Sites: http://literaturadecordel.vila.bol.com.br

http://chicodiniz.vila.bol.com.br