Instituto São Marcos,
Várzea Nova
Santa
Rita-PB, julho de 2003.
Este trabalho foi realizado com o
intuito de estimular os alunos de 3a a 6ª séries, dos turnos manhã e
tarde do Instituto São Marcos, a produzirem
textos relativos à educação física escolar utilizando a poesia de cordel
enquanto forma literária, e despertar nos alunos de 1.ª e 2.ª séries o
interesse pela leitura e reflexão dos conteúdos elaborados. Foi apresentado à
Secretaria de Educação de Santa Rita / Departamento de Educação Física – DEFIS
e ao Instituto Alpargatas, para apreciação e avaliação, no Concurso de
Instrumento Didático Pedagógico de Educação Física, cuja proposição é de
responsabilidade do professor de educação física: Francisco Ferreira Filho
Diniz.
Apresentação
................................................................................................
4
Introdução .....................................................................................................
5
Fundamentação
Teórica ...........................................................................
7
Conclusão ..................................................................................................11
Bibliografia ............................................................................................... 12
Anexos
.......................................................................................................13
1-
Nome do Projeto
Educação Física com Poesia
2- Identificação da Escola
Instituto São Marcos, Várzea Nova, Santa Rita-PB.
2.1- Professor Responsável pelo Projeto:
Francisco Ferreira Filho Diniz
Endereço: rua Alfredo José de Athaíde, 93, apto. 103,
Bloco 4, Condomínio Via Norte, Alto do Céu,
CEP.: 58.027 - 300 - João Pessoa /PB - Fone: (83) 3243 - 6724
E-mail: literaturadecordel@bol.com.br
Sites: http://literaturadecordel.vila.bol.com.br
http://chicodiniz.vila.bol.com.br
3- Dados do Projeto:
3.1- Tema: Educação Física Escolar
3.2- Assunto Desenvolvido: Construção
e reflexão de textos (em forma de literatura de cordel) sobre brincadeiras,
esportes e atividades realizadas durante as aulas de educação física na escola
e desenvolvidas, na prática, especialmente em forma de circuito escolar.
3.3- Público Alvo: 1.ª a 6.ª séries dos turnos manhã e
tarde.
3.3.1- Alunos das 1ª e 2ª séries da seguinte forma:
Leitura e reflexão sobre uma estrofe do folheto de
cordel, A Educação Física na Escola,
vide anexo, antes ou após cada aula prática.
3.3.2- Alunos das 3ªs, 4ªs, 5ªs, e 6ª
séries da seguinte forma:
a) Leitura e reflexão sobre uma estrofe do
folheto de cordel, A Educação Física na Escola, vide anexo, antes ou após cada aula prática.
b) Criação de uma estrofe, por semana, em
cada turma referida, sobre os assuntos
abordados nas aulas, objetivando a construção de um segundo cordel (O
que fazemos na aula de educação física?).
3.4- Objetivo Geral: Participar das aulas de
educação física na escola fazendo uma análise dos temas abordados e criando
textos, em forma de literatura de cordel.
A poesia popular, enquanto literatura oral já existe há mais de 3.500 anos. No Brasil o cordel chegou, trazido de Portugal, onde era vendido como "folhas soltas", mas foi com um poeta nascido em Pombal, que ele ganhou celebridade. Foi Leandro Gomes de Barros quem primeiro passou a editar e comercializar, no final do século XIX, o folheto na forma tal como temos atualmente, por isso ele é considerado o patriarca dessa expressão popular e a Paraíba é tida como o berço da literatura de cordel.
O cordel que era vendido nas barracas das feiras
livres pendurado em cordões e recitado ou cantado pelos poetas violeiros para
atrair os compradores, hoje sofre dos males do esquecimento e do abandono,
explicado pelo advento da era tecnológica e assimilação desenfreada da cultura
estrangeira. Ele já foi, no interior do Nordeste, o jornal, a música, o lazer
de um povo que se reunia nos salões ou terreiros das casas para fantasiar
histórias lidas por aqueles que dominavam os códigos da leitura e servia também
para alfabetizar tantos outros que as vezes sabia de cor folhetos famosos. O
hábito de ler cotidianamente o cordel fez surgir no Nordeste poetas de
expressão como Patativa do Assaré e revelar ao mundo uma música inigualável de
Luiz Gonzaga, valores que sintetizam a grandiosidade da nossa arte popular.
O cordel precisa sobreviver e voltar a ser uma
cultura de massa tal como antigamente. Certamente alguns poetas continuarão nas
feiras, outros levarão suas obras às bancas de jornal, livrarias, outros ainda
procurarão utilizar os recursos da mesma era tecnológica que ajudou a
sucumbi-lo - como o rádio, jornal, tv e agora mais recentemente a internet -
para fazer chegar aos quatro cantos do mundo a imponente cultura nordestina.
Contudo, acreditamos que a literatura de cordel só poderá se transformar numa
cultura de massa a partir do momento que a escola passar a estimular o seu uso,
ou seja, a comunidade escolar (alunos, professores, funcionários) adotar o
hábito da leitura. Quando a escola procurar conscientizar a todos da real
necessidade de se preservar o cordel enquanto saber histórico, estaremos
caminhando em direção a sua revitalização.
Levar a literatura de cordel até a escola significa
oferecer um importante e motivante meio de educação aos alunos. Através da
poesia popular o aluno poderá conhecer aspectos da história do nordestino, pois
o cordel retrata a cultura, o cotidiano, a realidade do povo e suas
peculiaridades. Mas pode versar sobre qualquer assunto e ser utilizado como
recurso pedagógico para debater temas relacionados à educação escolar como
cidadania, solidariedade, preconceito, discriminação racial, consciência
ambiental, espiritualidade, ética, educação sexual, combate às drogas,
violência, condição social da população, amor ao próximo...
Ter o cordel na biblioteca da escola pode representar
um passo extremamente valioso para o devido reconhecimento e resgate desse tipo
de literatura e dar à nova geração a oportunidade de apreciar a riqueza e
expressividade da nossa cultura. Significa observar o contato do passado, da
memória do saber tradicional, do conto poético numa linguagem ao mesmo tempo
simplória e bela, de fácil compreensão e de uma engenhosidade singular
observada na construção dos versos e rimas. A escola tem que obrigatoriamente
prestigiar a cultura popular, caso queira preservar a sua própria história. E
demonstrar preocupação na manutenção do saber é assumir e incorporar a sua
rotina o contato com as manifestações que o povo cultiva, que apresentam
significância e um visível potencial pedagógico. A literatura de cordel é uma
dessas manifestações que devem e precisam ser utilizadas no ambiente escolar.
Enquanto livro para-didático ou leitura suplementar o
cordel pode conduzir o leitor a uma viagem fascinante, a um universo textual
completamente diferente do habitual onde a rima é um dos elementos que atrai,
que desperta a curiosidade além de suscitar a sensibilidade artística.
No espaço escolar o cordel poderá ser usado para
estimular a criatividade. Como é uma leitura que pode ser cantada, acompanhada
de um ou vários instrumentos musicais como viola, rabeca, sanfona, violão,
pífano, zabumba, flauta, pandeiro ou outro de interesse do professor, vemos a
riqueza da sua utilização. Indiretamente há um incentivo à aprendizagem de
determinado instrumento musical, ao próprio canto e à estimulação da educação
rítmica, mesmo para aqueles que não queiram estudar ou compor música.
Finalmente pode-se orientar os alunos a produzir histórias, o que de fato mais
contribuirá para que sejam revelados valores e com isso fazer perpetuar em nossa
região o estigma de lugar dos grandes poetas.
Por ser confeccionado com material simples, o folheto
de cordel tradicionalmente teve preço acessível e as pessoas de baixo poder
aquisitivo sempre tiveram oportunidade de adquiri-lo. Hoje falta, além de
políticas públicas de incentivo, a divulgação necessária para que ele seja
conhecido pelas novas gerações.
Adquirir títulos com o objetivo de distribuí-los aos
alunos da rede pública de ensino, bem como para ampliar o acervo das
bibliotecas das escolas, poderiam ser iniciativas dos governos que muito iriam
contribuir nessa tarefa de promoção do cordel. Outro meio seria a realização de
concursos no interior das escolas, patrocinados com a incumbência de revelar
talentos, onde os vencedores poderiam ter, além de uma significativa premiação,
as suas obras editadas.
A escola pode ser um ótimo local para se estimular a
leitura e composição dessa rica cultura. Baseados em tal compreensão, começamos a implementar no
Instituto São Marcos o atual projeto: Educação Física com Poesia, que
visa contribuir para o reconhecimento e para a divulgação da literatura de
cordel e concomitantemente despertar no alunado a capacidade de criar estrofes,
debater, refletir sobre os conteúdos de educação física exercitados na escola.
Na educação física escolar, tradicionalmente os alunos não têm o hábito
de produzir textos ou mesmo refletir
sobre o que eles próprios constroem e especialmente no formato de cordel. Buscamos aliar a capacidade criativa dos
alunos com a necessidade que vemos de se resgatar a poesia popular nordestina a
partir da escola.
Estimulamos a leitura de folhetos de
cordel no Instituto São Marcos e percebemos grande entusiasmo dos alunos. A partir
dessa informação começamos a elaborar coletivamente os primeiros versos, o
resultado foi satisfatório. Conseguimos elaborar o folheto: A Educação
Física na Escola (vide anexo). Quando surgiu a possibilidade da
apresentação de um projeto através do Instituto Alpargatas, adotamos a
utilização de uma prática de educação física que pudesse proporcionar o cordel
como elemento teórico que expressasse o observado nas aulas.
Os conteúdos escolhidos para se
trabalhar foram os mesmos usados ao longo do 1.º bimestre, ou seja,
brincadeiras, jogos de corrida, futsal, vôlei, handebol, corrida, jogos de
memória, jogos sensitivos, etc.. Nenhuma novidade foi acrescida, além do fato
de que, antes de participarmos das aulas práticas, elaborávamos uma estrofe
sobre determinado assunto. Em alguns
momentos fazíamos o contrário, primeiro a prática, depois a construção dos
versos.
Constatamos as
aprendizagens dos conteúdos, observando os seguintes aspectos:
Conceitos:
Durante a realização do futsal, por exemplo, devido ao envolvimento
histórico dos alunos com essa modalidade, já existe uma compreensão sobre
regulamentação, bem como das características precípuas, o que facilitou a
composição de estrofes sobre o assunto, ex.:
No jogo de futsal
Muitas coisas aprendemos:
Passe, chute, condução,
Drible, finta, nós fazemos
Domínio e cabeceio
E muitas bolas defendemos.
Joga homem e mulher
Menino, idoso, rapaz
Mas quem chamar palavrão
Desagrada e é capaz
De ser expulso do jogo
E então não entrar mais.
Quando o assunto é menos atrativo, como educação postural e
especialmente por se tratar de conteúdo teórico, a assimilação é facilitada por
meio das rimas, exemplo:
A educação postural
É a maneira correta
De andar, sentar, dormir
Sempre com a postura reta
Não podemos esquecer
Que essa é uma mensagem certa,
Pois evitaremos dores
Doenças, indisposição,
Fadiga, muito cansaço,
Até dor no coração,
Escoliose, lordose,
Cifose, má respiração.
Procedimentos:
Todas as estrofes aqui citadas, diariamente debatidas são fruto de uma
construção coletiva: alunos-professor (vide anexo). Isso implica dizer que se
trata de uma inovadora forma de propiciar a aquisição de conhecimentos.
Trata-se de responsabilizar e convidar as pessoas para a adoção de novos
procedimentos para a compreensão do que foi estudado.
Ao elaborar o conteúdo, que vai ser objeto de estudo por todo um grupo
(no nosso caso por toda a escola), o aluno enxerga melhor as suas necessidades e
o que fazer para conquistar tais informações, que podem ser facilitadas ao
declamar ou cantar uma estrofe. ex.:
Nós estudamos também
A educação alimentar:
Evitar carne vermelha,
Doces e aquilo que há
A gordura em excesso
Pois pode prejudicar.
Nós devemos consumir:
Carne branca, vegetais -
Que são frutas e legumes,
Verduras e cereais -,
A água sempre potável,
Além de sucos naturais.
Carne branca - é peixe,
É frango e ave também -
Que se for bem preparada
A nossa saúde faz bem
Pois é alimento saudável
Muito mais que o acém.
Atitudes:
Discutir conteúdos que possam efetivamente conduzir à mudança de
atitude é por certo um dos maiores desafios da escola enquanto
instituição. Acreditamos que somente
através de uma ação conjunta de toda a comunidade escolar será possível uma
aprendizagem crítica e eficaz nesse sentido. Acreditamos que podemos contribuir
nesse projeto pelo fato dos conteúdos serem uma construção coletiva e
facilitados as vezes pelo recurso do hilário, ex.:
Na aula há quem bagunça
E atrapalha quem quer estudar
E o professor vez em quando
Manda ele se retirar;
Quando se trata de briga
Não dá para tolerar.
Aí, chama-se os pais
Pra falar com a direção
Porque família e escola
Juntas fazem a educação
Promover o ser humano
A um verdadeiro cidadão...
Cidadão esse que precisa
Se preparar pra viver:
Ter estudo, ter trabalho
Pra melhor sobreviver
E lutar por um futuro
Sem precisar tanto sofrer.
E lutar significa
Pregar a paz, o amor,
Defender o meio ambiente,
O pobre, o trabalhador,
A saúde, a justiça,
E uma educação de valor.
Descrição dos Princípios de Aprendizagem contemplados:
Princípio da
Inclusão:
Quando queremos que os nossos alunos
participem das aulas de educação física na escola fazendo uma análise dos temas
abordados e criando textos, em forma de
literatura de cordel, onde necessariamente deveremos, em cada aula, formatar no
mínimo uma estrofe, para em seguida realizarmos as brincadeiras, esportes, ou
qualquer atividade física, estamos incluindo, ou tentando fazer com que
todos dêem sua contribuição no processo de aprendizagem.
Nós brincamos até no sol
Pois a aula não pode parar
E mesmo sem cobertura
Vamos à quadra jogar
E iremos cobrar do prefeito
Para um teto colocar.
Se chover, vamos pra classe
Fazer uma estrofe ou brincar
De esconder um objeto
Para o colega achar
Ou fazemos exercícios
De alongamento ou pintar,
E tantas outras brincadeiras
Podemos realizar:
Aulas de capoeira,
Pular corda, cantar,
Desenho e até escrever
Ou ouvir som e dançar.
Princípio da Diversidade:
Aplicamos o principio da diversidade nas aulas, principalmente por
trabalharmos os conteúdos práticos em forma de circuito escolar, onde várias
atividades podem ser realizadas simultaneamente. Isso propicia maior interesse
pois reduz a monotonia provocada por determinado jogo ou brincadeira e oferece
ampla possibilidade motora, o que facilitará o exercício de diversas
potencialidades. Em se tratando da
produção de texto, o vocabulário é enriquecido, bem como o número de
informações, uma vez que a proposta do projeto visa contemplar as mais
diversificadas atividades desenvolvidas nas aulas de educação física.
Utilizamos a poesia de cordel como recurso pedagógico para debater
temas relacionados à educação física escolar, bem como estimular os alunos a
criarem estrofes em sextilha, visando com isso estimular a capacidade criativa
na construção de um tipo de texto característico da região nordestina e que
infelizmente passa por um estágio de abandono, de esquecimento e até de
desconhecimento das novas gerações.
Nota:
Não conseguimos
trabalhar com a xilogravura pois o tempo destinado ao projeto foi insuficiente.
Os instrumentos didático-pedagógicos investigados foram:
a) A capacidade criativa e de reflexão sobre o assunto trabalhado durante a aula em forma de poesia de cordel;
b) O exercício do aspecto rítmico do cordel através
do canto das estrofes (sobre conteúdos
relativos à educação física escolar) tal como os repentistas, aboiadores
e outros tipos e estilos musicais.
c) O exercício prático de várias atividades (vôlei,
futsal, corrida, handebol, brincadeiras...) realizado principalmente através de
circuito escolar.
Sugerir
a utilização da literatura de cordel como um recurso literário para tratar sobre
os conteúdos da educação física na escola é uma tentativa de motivar os alunos
à reflexão e à assimilação de informações úteis à vida, participando de
práticas motoras que promovam o prazer, ao mesmo tempo que ajuda a divulgar a
nossa cultura regional.
O êxito maior do atual
projeto, entendemos ser a elaboração dos folhetos: “A Educação Física na
Escola” e “O que fazemos na aula de educação física?”.
Uma produção dos estudantes
do Instituto São Marcos, que confirma a capacidade incontestável de quem se
propõe a criar, mesmo sendo de escola pública, que é desestruturada e onde as
famílias têm baixas condições econômicas. Quando há oportunidade, a grande
maioria da classe estudantil pode ser capaz de apresentar suas potencialidades.
Enquanto educadores, acreditamos nessa premissa, não obstante os graves
problemas que afetam a educação no país
como desvalorização do professor, escolas sem a devida estrutura para
operacionalizar dignamente, merenda escolar insuficiente e de qualidade
inferior...
-
DINIZ, Francisco Ferreira Filho Diniz -
Subsídios do autor enquanto cordelista e professor de educação física.
- SÃO
MARCOS, Instituto – Subsídios dos alunos dos turnos manhã e tarde
da 3.ª a 6.ª séries, Santa Rita-PB, 2003.
Folhetos
de cordel:
- A Educação Física na Escola.
- O que fazemos na aula de educação física?