Meu tio “Cientista”
Esse causo que eu conto
Foi na prática sem teoria,
É verdade sem um desconto,
Pois se passou na família.
O meu tio Alpiniano
Prezepeiro por vocação,
Quis ser o inventor do ano
Criador de inovação.
Num dia deu um repente:
“Um negócio vou fazer,
Se der certo a patente
Vou fabricar e vender.”
Ele pegou uma garrafa
Bem branquinha e transparente,
Tava feito, sob gaiofa,
Do produto o recipiente.
Todos riram do invento
Irmãos, sobrinhos e pais,
Até rinchou um jumento
Gaiofando do rapaz,
Que quando foi ao banheiro
Numa garrafa bufou,
Com rolha tampou ligeiro
E o gás aprisionou.
No quintal ele cavou
Um buraco com a mão,
Lá a garrafa botou
Pra fazer maturação.
Passou-se uma semana
E ele a desenterrou,
Cientista não se engana:
O produto maturou.
Em meio ao seu acerto
Numa coisa ele errou,
Na rolha não deu aperto
E a garrafa destampou.
Ouviu-se um estampido,
A rolha não se achou,
E quem não tava escondido
Do cheiro experimentou.
Debandou todo o mundo,
Não ficou nenhum cristão,
O gás saído do fundo
Foi curtido com feijão.
O invento foi esquecido,
Pois a rejeição é certa,
Mas nem tudo está perdido,
Foi feita uma descoberta:
Se a patente não saiu
Nem se soube lá pro Sul,
Ao menos se descobriu
Que a bufa era azul.
Marcos
Bezerra, é analista-programador, graduando em Sistemas de Informação pela
IESP Faculdades,
Atualmente cataloga as memórias
sertanejas do seu pai e pretende futuramente transformá-las em livro.