O menino que quis mudar um mundo
Literatura de Cordel
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1- Pedimos licença aqui,
Um pouco de atenção,
Escrevemos em cordel
A admirável ação
De um menino carente
Verdadeiro cidadão.
2- Em 1º. de janeiro,
Foi o dia em que nasceu
João Francisco da Silva,
Nome que sua mãe lhe deu,
Criado em periferia,
É orgulho de nosso Deus.
3- Residia em favela,
Barraco de tábua, a casa,
E móveis, pouco havia,
Mesa e fogão de brasa,
Colchão velho pra dormir,
Uma pia, dessas, que vasa.
4- De casa muito humilde,
Sem nenhuma mordomia,
Ficava insatisfeito,
Mesmo assim com alegria
Tinha muita confiança,
Coragem não faltaria.
5- Ele não tinha irmãos,
Sentia-se até sozinho,
Mas do povo e da mãe,
Recebia o carinho.
Logo perdeu o seu pai
Árduo ficou seu caminho.
6- Com a idade de 7 anos
Começou a trabalhar
Porque sua mãe não tinha
Com o que lhe sustentar,
Pois problema de saúde
Começou a apresentar.
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7- Também foi com 7 anos
Que foi à escola estudar
Sendo muito aplicado
Logo veio a conquistar
A leitura, a escrita,
Queria certo falar.
8- Era pública a escola,
E dessas sem estrutura,
As vezes tinha merenda,
Cuscuz seco e rapadura,
Que amenizava a fome
Num momento de fartura.
9- Sempre as 11 da manhã,
O horário que largava,
Ia à casa e depois
Pros locais que trabalhava.
Era engraxate e disso
Ele não se envergonhava.
10- O dinheiro que ganhava
Servia para as despesas
E ainda ajudava
Quem nada tinha à mesa,
Não queria pra si só,
Disso temos a certeza.
11- Ele disse a sua mãe
Que não podia olhar
Alguém vivendo em miséria
E passava a perguntar:
- "Por que a classe dos ricos
Não cuida em ajudar?"
12- Lutava contra a fome,
Pois sabia o que passava,
Junto com a sua mãe
A pobreza enfrentava.
Os tempos eram difíceis,
Um ou outro ajudava.
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13 - E teve que trabalhar
Para obter melhorias
Porque não queria pensar
Num mundo só de agonia.
Ele desejava mesmo
Um pouco de alegria.
14 - O menino foi crescendo,
Mais saber adquirindo,
Querendo mudar a vida,
Contra a injustiça, agindo,
Pois sabia que assim
O mal ia diminuindo.
15 - Gostava de trabalhar,
Tinha generosidade,
Não queria mal a ninguém,
Mas justiça e igualdade,
Sonhava com um mundo novo
De amor e dignidade.
16- Em meio às dificuldades
Que a pobreza o submetia,
Sempre força e muita fé
O menino adquiria,
Aos poucos realizações,
Felizmente conseguia.
17- Era mesmo esforçado,
Íntegro, idealizador,
Condições muito importantes
Para ser um vencedor,
E aos pobres, como ele,
Desejava dar valor.
18- Vendo sua dedicação
Naquela comunidade,
Uma ONG lhe chamou
Pra lutar por igualdade,
Lutar pelos seus direitos,
Por melhor sociedade.
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19 - E para o povo ajudar,
Nessa ONG ele lutou
Por direitos sociais,
Exigiu e protestou
E o menino mal tratado
Então se manifestou.
20- Todos os membros dessa ONG
Tinham em mente reduzir
As dores do povo pobre
E evitar expandir:
Miséria, desesperança,
Que impedem um melhor sorrir.
21- Toda manhã o João
Ia à escola estudar,
Sempre estava presente,
Ninguém o via faltar,
As vezes sem ter merenda,
Mesmo assim estava lá.
22- Seu sonho não escondia:
Queria ser um doutor,
Pra ganhar muito dinheiro,
Sair da vida de horror,
Para ajudar aos doentes,
Aos pobres, ao sofredor.
23- Terminou os seus estudos,
Passou no vestibular,
Quase ninguém acreditou
O jornal noticiar
Seu nome entre os primeiros
Na lista a constatar.
24- Pobre estudar medicina,
Pouquíssimo a gente ver,
E esse é um dos casos
Que muitos queriam viver,
Porém o nosso sistema
Não permite acontecer.
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25- Foi difícil o estudo,
Sofrimento por demais,
Sem dinheiro para livro,
Ir a Congresso, jamais,
Ele até passara fome,
Mas não se via incapaz.
26- Refeições, na faculdade,
Em casa, ia se virando,
Lia até de madrugada,
Vivia se dedicando.
Não se sabe bem aonde
Forças ia encontrando.
27- Queria ser professor,
Se este ganhasse bem,
Para dar educação
Aos que pouco ou nada têm,
Mas com o que ganha o mestre,
Preferiu ir mais além.
28- Toda a comunidade
Com certeza o admirava.
De onde vem tanto vigor?
Era o que se perguntava
Tornava-se um exemplo,
O povo se orgulhava.
29- E com ajuda da ONG,
Aos 23 se formou.
Realizou um dos sonhos
Que era o de ser doutor
E para os gastos precisos
A entidade ajudou.
30- Como retribuição
João Francisco tinha em mente,
Prestar serviço a ONG,
Ajudar a outros carentes,
Pois da sua atenção,
Precisava muita gente.
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31- Hoje vive empregado
Na sonhada profissão
E em seu trabalho diário
Dá valor ao cidadão,
Não esquece seu passado,
Como sofrera então.
32- João Francisco da Silva
Virou médico afamado
E é exemplo de gente
Que deve ser admirado,
Pelo que sofreu um dia
Podia ser um revoltado.
33- Contudo mostrou virtude
Que nem todo mundo tem,
Coragem para enfrentar
A miséria e ir além
Das suas possibilidades,
Merece os parabéns.
34- Ele doa parte do tempo
Pra atender aos necessitados,
Sem cobrar por isso nada,
É um trabalho apaixonado
De quem ama o semelhante,
É um ser glorificado.
35- A vida do povo aqui
Não devia ser assim:
O pobre sofrendo muito
Do princípio até o fim,
Mas isso só é possível
Porque a política é ruim.
36- Como é ruim também
Quem detém nosso poder,
Que compra o voto do pobre
E não quer oferecer
Uma escola de qualidade
Que mude nosso viver.
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37- Somente a educação,
O mundo pode mudar,
Criando um homem novo,
Capaz de não aceitar
O diabo da corrução
E um patrão a lhe explorar.
38- Só o homem educado
Não se apega a riqueza,
É solidário e justo,
Não aceita a esperteza
Dos que querem se manter
Só as custas da pobreza.
39- Quando nós adquirirmos
De fato, a educação,
O saber será entendido
Por partilha e inclusão,
Mas pra isso acontecer
Ainda falta muito chão.
40- Enquanto nosso sistema
For um "bicho" que consome,
Que pega o ser carente
E o faz morrer de fome,
Viveremos de injustiça,
E pobre será o homem.
41- É preciso que o povo
Não fique a esperar
A ajuda da classe rica,
Essa não vai querer dar,
O que precisamos mesmo
É saber em quem votar.
42- Ou seja, num líder pobre,
Que não seja traidor,
Que invista em educação
Que dê ao trabalhador
Condições de prosperar
E respeite o seu valor.
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43- Devemos ser persistentes
Como o menino João
Que tinha um objetivo
E pôs em prática a ação,
Não usou arma de fogo,
Mas fez uma revolução.
44- A revolução querida
É a mudança cultural,
Onde o ser faça do agir
Procedimento moral,
Onde a justiça seja
Uma prática habitual.
45- Com cadeia para o rico
Sonegador e ladrão,
Com divisão das riquezas
Entre os pobres da nação,
Com o devido investimento
Na área de educação.
46- Não pagar a dívida externa
Pois ela foi mais que paga,
E com o dinheiro investir
Para acabar com a praga,
Travestida em desemprego,
Que suja, fede e amarga.
47- Aniquilar o corrupto
De uma vez, quase zerar
O cão da taxa de juros
Que impede o país gerar
Emprego e condições
Pro povo melhor morar.
48- No exemplo de João Francisco
Nos basear e seguir,
Que então ONG´s e escola
Estejam a contribuir
E só depende de nós
Outro Brasil construir.
08
FIM
Jailson Henrique e Francisco Diniz
João Pessoa-PB, Julho/setembro de 2005.
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