O que fizeram com o mundo?
Literatura de Cordel
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O que fizeram com o mundo?
Autora:
Maria Josilane Pessoa
Jacaraú-PB, Março/03
Cordel apresentado à disciplina Literatura Popular do
Curso de Letras da Universidade Estadual da Paraíba,
Campus III - Guarabira - PB em março de 2003 e
revisado por Francisco Diniz em agosto de 2004.
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Eu peço à mãe Santíssima
Que interceda ao lado
De seu estimado filho
Para que eu com cuidado
Possa contar o que vejo
Neste mundo transtornado.
No princípio tudo era bom
Havia paz em abundância
Rios, matas, flores, frutos
Era uma eterna constância
Todos eram felizes
Não existia a ganância.
Os Homens e os animais
Conviviam em harmonia,
Reinava a felicidade
Entre eles, dia-a-dia
Não havia a discórdia,
Somente a alegria.
1
Mas um fato ocorreu
E a tudo modificou
Foi a desobediência
Às ordens do criador
Gerando a dor e o mal
E assim o mundo mudou.
Se a humanidade sofre
Hoje é devido ao fato
Onde o homem e a mulher
Através de um triste ato:
Queriam saber mais que Deus
Por isso há tanto destrato.
Vieram as transformações
Familiar e cultural
Cada um querendo ser
Dono do mundo atual,
O orgulho, a ambição
Banem o seio maternal.
2
Atualmente as pessoas
Gostam de badalação
Vivem seguindo modismos
Que vêem na televisão
Só pensam em consumir
E viver de ilusão.
Não têm tempo para nada
Vivem sempre apressados
São frutos de um sistema
Andam sempre ocupados
Esquecem até mesmo de si
Dizendo ser estressados.
Querem aprender de tudo,
Vivem da tecnologia
Estão sempre informados
E dispensam companhia
Por não ter tempo pra nada
Desconhecem um bom dia.
3
Vejamos o outro lado,
As pessoas sem instrução
Que não podem ir à escola
Por falta de condição
São uns pobres sofredores
Da tal discriminação.
Muitos sofrem hoje em dia
Negro, índio, indigente,
Desempregado, mulheres
Pobres e o inocente
Que nasce lá na favela
Num barraco indecente.
Sofrem porque há descaso
De quem é autoridade,
Que não oferece saúde,
Que não fala a verdade,
Que não oferece trabalho
Nem educa a sociedade.
4
Há uma maldade sem fim
Na mente da elite insana
Igual fogo que destrói
As belezas da savana
E triste eu me pergunto:
O que é a vida humana?
Vemos seqüestros e mortes
E muita impunidade,
Gente passando fome
Pelas ruas das cidades,
Igualmente a políticos
Praticando improbidade.
Há individualismo
Dominando as nações,
Só se pensa em receber
Pouco se ver doações,
É o mundo dominado
Pelos chamados chefões.
5
As famílias se destroem
De uma forma horrível,
Filho matando os pais
É algo mesmo terrível
Não há muito o diálogo
Neste mundo consumível.
As drogas atualmente
Ocuparam posições
Enfeitiçando os jovens,
Deixando-os sem corações,
Que perdem até os sentidos,
Caindo em tentações.
O jovem quer liberdade,
Busca sempre solução
Mas esquece de buscar
A verdadeira opção,
Que é o Senhor Jesus Cristo,
O libertador da nação.
6
O negro é discriminado,
Pobres e velhos também
Nas ruas, praças, calçadas
São sujeitos ao desdém
E quem pode não quer saber
Se são pessoas de bem.
Poucos são os que podem
Viver de uma forma digna
E a massa é submetida
A viver num paradigma
Imposto sim, por aqueles
Que elaboram enigmas.
A violência é gritante
No mundo globalizado,
Através da internet
Tudo está conectado
Só falta termos a paz
E um ser civilizado.
7
Mas nem tudo está perdido
Inda há um pouco de bonança
Brotando nos corações
Do adulto e da criança
E se pregarmos o amor
Não morrerá a esperança.
Se cada um ajudar
Doando-se por amor
Tudo será mais fácil
Agiremos com fervor,
Poderemos ser felizes
Sem o ódio e o rancor.
Juntemos os nossos sonhos,
Os ideais de labuta
Seremos reconhecidos
Insistindo nessa luta
Leal e pregando o bem
Almejando ter também,
Numa vida absoluta,
Encontro com Deus no além.
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Revisão: Francisco Diniz (83) 3243-6724
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