Pedro Osmar,
O Guerrilheiro Cultural!
Literatura de Cordel
Autor: Francisco Diniz – No. 57
João Pessoa-PB, 09 de dezembro de 2006.
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Caros amigos leitores
Da nossa literatura,
Do folheto de cordel,
Singela e bela cultura,
Eu peço licença aqui
Pra expressar uma criatura:
Pedro Osmar Gomes Coutinho,
Ícone e referência,
Um cidadão pessoense,
Que é símbolo de resistência
Ao conclamar todo o povo
Pra adquirir consciência.
Como músico e poeta,
Artista plástico, cantor,
Um produtor cultural,
Legível compositor;
Da cultura alternativa:
Incansável defensor.
Em 29 de junho
Foi quando ele nasceu
No ano 54(1954)
E alegria ofereceu
A Isabel e Osias,
Casal que o concebeu.
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No bairro de Jaguaribe
Pedro Osmar fora criado
Entre figuras e imagens
Do povo, fora levado
Desde cedo a conhecer
A cultura do estado.
Estudou em escola pública,
E como todo menino,
Brincou de bola, pião,
De pipa; era traquino,
Tomava banho de rio,
Na infância era malino...
De tudo, mexia um pouco,
Gostava de inventar,
Precoce autodidata
Começou a despertar
Dons artísticos e também
Interesse em criticar.
Participou em 70(1970)
Do então “4o Festival
Paraibano de Música
Brasileira” com o aval
De uma leva de autores
Da música experimental:
Zéwagner, Cátia de França,
Carlos Aranha, Ivan Santos,
O grande Vital Farias,
Jadiel de Assis e tantos
Outros músicos de primeira
Que andavam em todo canto.
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Profissionalizou
Sua música a partir daí,
E no ano 74(1974)
Buscando mais intervir,
Através do seu pensar,
Sacode o povo daqui...
Ao fundar com Paulo Ró,
Maior parceiro e irmão,
O “Jaguaribe
e Carne”,
Uma breve revolução,
Que levava música e arte
Para a população.
Quando em 73(1973)
Na UFPB foi estudar,
No então núcleo COEX,
Descobriu Pedro Osmar
Que o rigor acadêmico
Não iria lhe encantar
Por isso que decidiu
A experimentação,
Vivência com a música livre,
Teve colaboração:
Do mestre Vital Farias,
Que deu grande empurrão.
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Entre 60 e 70(1960/1970)
Ingressa no “Movimento
Da Poesia Marginal”,
Cujo maior mandamento:
Pôr na rua poesia,
Propor mais que o letramento.
Da geração mimeógrafo,
Foi grande incentivador
E no “Grupo Sanhauá”
Divulgava o valor
Da poesia autoral:
Liberdade era o rigor.
Teve textos publicados
Em boa circulação:
“Quem
é Palhaço Aqui?”
Foi feito adaptação
Para o teatro e outros
Que aqui faço citação:
“Rock
da Pior Qualidade”,
Depois foi escrito também
“
“Argh!”
e “Fogo Prestes” vêm
Em teatros e revistas,
É sinal que valor têm...
Bem como “Cartas de Amor
De Isadora para João
Pantanha”, que como outros
Textos são a expressão
De um artista irrequieto
Do “meu sublime torrão”.
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Escreveu uma série de livros,
Mas inda não os editara:
“Rinocerontes
na Sala”
E mais tarde apresentara
“Cantigas
de Junho” e “Textos
Do Equívoco e Outras
Taras”.
Texto: “Diálogos de Música”
E o “Paisagem Sonora”
Também não são publicados,
Mas não passou inda a hora,
Torço pra vê-los escritos
E nem que seja na tora.
Pois quem produz como Pedro
Tem que ter palco e estante
Pra abrigarem sua obra
Reflexiva, operante,
Resultado de um ser
Comprometido e pensante.
Com o “Jaguaribe e Carne,”
Onde tudo começou,
O show foi “Dança Nativa”,
Em Natal, Campina Grande,
E em Recife circulou.
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“Desempregados
Expõem
Material Liberado
Pela Censura” e depois
Vieram “Desafinado”,
“Espadas”,
“Repercussão”,
Foi música pra todo lado!
O show “Chamada dos Corpos
Sangrentos” iria ter
Uma boa divulgação
E “Música
Pra Surdo Ver”,
“Merenda
Escolar” e “Gralha
Canalha” iam entreter...
Semana Universitária,
Às escolas, Pastorais,
Umas Associações,
Calourada e outras mais,
Festas, que tinham apelo
De construções culturais.
O “Jaguaribe e Carne”
Ampliou o seu mercado
Com o “Projeto Nordestes”
E também, por outro lado,
Com o “Itaú Cultural”,
Que é muito renomado.
Show no “Plaza”
No “SESC”,
no “CPC”,
A ida a “Alemanha”,
Ao “Festival
de Montreux”,
Pedro Osmar contribuiu
Pra boa música vender...
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Ao tocar com “Zé Ramalho”,
Ao pregar em oficinas
De maneira informal,
Como bom mestre, ensina,
Que arte e educação
Tiram o povo da ruína.
No ano 76(1976)
Ele criou a “Coletiva
De Música da Paraíba”,
Com o fim de tornar altiva
A atitude dos músicos
E com isso incentiva...
A surgir em 81 (1981)
Uma associação:
“Musiclube
da Paraíba”,
Que visa a organização
Política e cultural
Dos músicos desse torrão.
1982
Ajuda então a criar
O “Projeto Fala Bairros”,
Que vivia a reclamar,
Junto com ONG’s e igreja,
Novas formas de atuar...
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Com partidos de esquerda,
Com agentes de minorias,
Com grupos anarcopunks,
Com quem quisesse e podia
Pra debater os problemas
Que vemos no dia-a-dia.
1984,
Pedro espalha a semente
Cria o “Movimento dos
Escritores
Independentes”,
Apelidado de “MEI”,
Concebido juntamente...
Com o poeta Lúcio Lins,
Totonho, Josildo Dias,
Com a Maria Augusta,
Chico César e se via
Tantos outros expoentes
Da prosa e da poesia.
O “MEI”
aqui existia
Porque fora baseado
Nos “Poetas Marginais”,
Que no mundo espalhados,
Pregam o poder escrever
Como um grande legado.
Após os anos 90
Sua música foi registrada
Em discos independentes,
Não esteve nas “paradas”
Porque música alternativa
Nas rádios não é tocada!
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O som “As Estrelas Cantam
Pedro Osmar” fora gravado
No ano 92(1992)
Na ocasião registrado
Por meio: fita cassete
E um milhar então rodado.
1993,
Foi prensado o LP,
Era: “Jaguaribe Carne
Instrumental” a vender,
Poucas cópias, umas mil...
E o sonho não vai morrer!
1995,
Veio o cd “Signagem”;
No ano 97(1997),
Um cd grande viagem,
Foi o “Viola Caipira”:
Na capa, um pé como imagem!
1998,
“Novóide”
propôs a forma
Para uma sociedade
Que resiste à reforma,
Que mata o que é conceito,
Pouco age e mal informa.
1999,
“O
Piano Confeitado”,
Já no ano de 2000
O cd então lançado
Foi “Jardim dos Animais”
E em seguida divulgado:
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No ano 2001:
“Dez
Cenas de Reviola”,
Esta é a discografia
De um artista da viola,
Do músico e pensador
Que à fama não dá bola.
Isso é fácil perceber
E nos podemos comprovar
Quando largou o show business
Passando a se dedicar
À música experimental
Que sempre gostou tocar.
Pedro Osmar não abre mão
Do seu estilo de vida:
Roupa simples, casa humilde,
Reflexão destemida
Contra o império burguês
Que impede a acolhida...
Das massas trabalhadoras,
Que ele tanto defende,
Por quem sempre reclamou,
Protesta e empreende
O seu fazer pedagógico
E não se importa se ofende...
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Detentores do poder
Ou corruptos de plantão,
Pedro Osmar segue em frente
Convicto da sua missão:
Ajudar pra que o povo
Tenha conscientização...
E não deixe se levar
Por clichês e por tendências
Que a moda apregoa,
Por posturas e influências
Da indústria cultural
Que nem sempre usa a decência...
Ao expor seus interesses,
Ao adulterar valores
Da história e tradição
Produzindo dissabores
A quem não se enxerga apenas
Por meros reprodutores.
Ainda em 2001
Ajuda a elaborar
Uma série de 3 cds:
O “Cantata
Popular”,
Que é música da Paraíba
Para ouvir e pensar.
No ano 2004,
“Vem
no Vento” foi gravado,
Que é síntese do trabalho
Até então realizado
Pelo “Jaguaribe e Carne”
E é um cd que foi cantado...
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Por Xangai, por Chico César,
Elomar, Zeca Baleiro,
Escurinho, Vital Farias,
Lenine e outros companheiros,
Produzido por Marcelo
Macedo e Xisto Medeiros.
Como artista multimídia
Envolve-se com o “Movimento
Processo e Arte Correio”
De poetas com o fomento
De expor e publicar
Pelo mundo um talento...
Que ainda não recebeu
O valor que é merecido.
Pedro Osmar é um mentor,
Muito tem contribuído
Por falar numa cultura
Que dá à vida um sentido.
Também em 2001
Teve entrevista prestada
Para a UFPB
E lá são apresentadas
Sua poesia e música,
Arte plástica e encenada.
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Diversos salões de arte,
Pedro Osmar participou;
Suas
músicas, muita gente
Importante já gravou:
Zé Ramalho, Chico César,
Elba também o cantou...
E Amelinha, Lenine,
Cátia de França, além,
Milton Dornelas, Xangai,
Cabroeira e ainda tem
Jessé Jel, Jarbas Mariz,
Vital Farias, também...
Outros cantam sua música,
Ele vive a divulgar
O acervo cultural
Do povo e nosso lugar,
O “Projeto
Malagueta”
Tá pra exemplificar.
No ano 2006
Teve participação
No disco Jarbas Mariz:
“Do Cariri pro Sertão”,
A música é “Bate-coxa”,
Que é literal percussão.
Também neste mesmo ano
Vem à FUNJOPE atuar
Como “Diretor de Música”
Para aqui implementar
O que sempre imaginou
E agora pode mostrar.
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Incentivando a arte,
O fazer alternativo,
À cultura popular
Com um agir prestativo
À produção autoral:
Do laico ao formativo.
Em meus versos de cordel
Este é Pedro Osmar,
Que já foi publicitário,
Que expressa o seu pensar,
Que trabalhou nos Correios
E não se cansa de andar.
Morou no Rio,
E também lá em Brasília,
Mas João Pessoa é como
Uma abençoada ilha,
Querida como se fosse
A sua terceira filha.
Com a Vilma, tem o Michael;
Junto com a Gláucia Lima
Nasceu Pedro Índio Negro;
Com Nana: Macunaíma,
Maíra e Nana Filha,
Gente que sua vida anima.
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Rossana o expôs em livro,
Jornais o noticiaram,
Artistas do nosso povo
Quase sempre o admiraram,
Por dizer tudo o que pensa,
Colegas o criticaram.
Como é o caso mais recente
Divulgado em jornal:
Polêmica com Oliveira,
Que causa um grande mal
À arte da Paraíba
E à cultura geral.
Esta peleja é besta,
Dá até outro cordel,
Mas acho que Pedro Osmar
E Oliveira, o menestrel,
Têm que brigar contra a música
Que engana o tabaréu...
Que engana a juventude,
O pobre e rico também,
Esse forró véi de plástico,
Que a mídia diz amém,
Que destrata a cantoria,
Só bagaceira contém.
Que sua luta diária,
Nos “Quilombos de Cultura”,
Esteja lá na FUNJOPE
Ou em qualquer estrutura
Em prol da transformação
E contra toda usura.
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Que consigas mais pessoas
Pra engrossar as fileiras
Do agir comunitário
D’arte na praça, na feira,
Na escola e na mídia
Pra reduzir a cegueira...
De parte do nosso povo
Que insiste em reproduzir
Dia-a-dia pensamentos
De quem vive a extorquir
Consciência, esperança,
E também livre agir.
E eu desejo a você
E à Leila Chaaban também
Uma vida harmoniosa,
A saúde, a paz, o bem,
Porque o saber pra lutar,
Isso você já o tem.
FIM